Por Equipe JK
A Netflix segue apostando em comédias de alto conceito, mas Primeiro as Damas mostra que uma boa ideia não significa necessariamente um bom filme. A produção imagina um mundo onde homens e mulheres trocaram de posição social, com mulheres ocupando os espaços de poder enquanto os homens enfrentam machismo e humilhações no dia a dia. O problema é que o longa transforma essa proposta em uma sequência cansativa de piadas óbvias e situações exageradas.
Sacha Baron Cohen interpreta Damien Sachs, um publicitário arrogante e machista que acorda em uma realidade invertida após bater a cabeça. Agora, ele precisa lidar com assédio, desprezo profissional e comentários ofensivos que antes eram direcionados às mulheres. Rosamund Pike vive Alex, colega de trabalho que deixa de ser ignorada para assumir uma posição poderosa dentro da empresa.
A ideia lembra filmes como Do Que as Mulheres Gostam, mas Primeiro as Damas não consegue encontrar equilíbrio entre sátira e comédia. O roteiro insiste em repetir a mesma piada durante quase todo o tempo, trocando termos masculinos e femininos de maneira cada vez mais cansativa. O filme acredita que apenas inverter palavras e comportamentos já é suficiente para criar humor inteligente.

Elenco desperdiçado
O que mais chama atenção é o desperdício do elenco. Rosamund Pike até consegue funcionar como executiva fria e dominante, mas o material entregue à atriz é fraco demais para sustentar qualquer profundidade. Já Sacha Baron Cohen parece completamente perdido no papel principal. Falta carisma, timing cômico e até química entre os personagens centrais.
Primeiro as Damas também tenta misturar crítica social com humor absurdo, mas nunca encontra o tom certo. Em vez de construir uma sátira realmente afiada sobre desigualdade e machismo, o filme prefere apostar em exageros infantis e piadas constrangedoras que rapidamente perdem o impacto.
Mesmo com apenas 84 minutos de duração, Primeiro as Damas parece muito mais longo. A sensação é de que a história gira em círculos sem desenvolver seus personagens ou apresentar algo realmente novo sobre o tema que pretende discutir.
A direção de Thea Sharrock também não ajuda. Tudo parece artificial demais, desde os diálogos até os conflitos do ambiente corporativo. O universo criado pelo filme não convence e funciona apenas como desculpa para repetir a mesma piada várias vezes.
No fim, Primeiro as Damas acaba entrando para a lista de comédias da Netflix que desperdiçam boas ideias em roteiros preguiçosos. Existe uma crítica válida sobre desigualdade de gênero escondida em algum lugar do filme, mas ela se perde em meio a humor forçado, cenas exageradas e um tom que parece preso aos piores filmes de comédia dos anos 2000.
Nota: 2 de 5 estrelas
