Por Equipe JK
Passageiro do Mal aposta em uma fórmula clássica do terror de estrada para entregar uma experiência cheia de tensão, perseguições e sustos noturnos. Dirigido , de Histórias Assustadoras para Contar no Escuro e A Última Viagem de Demeter, o longa mistura elementos sobrenaturais com o clima isolado das estradas americanas e consegue criar momentos realmente assustadores. O problema é que o filme nunca desenvolve bem sua própria história.
A trama acompanha Tyler (Jacob Scipio) e Maddie (Lou Llobell), um casal que abandona a vida corrida de Nova York para viajar pelo país em uma van. Tudo muda depois que eles tentam ajudar um motorista acidentado em uma estrada isolada. A partir desse momento, uma entidade conhecida como Passageiro começa a persegui-los durante a viagem.
O filme constrói essa ameaça de maneira eficiente no começo. O vilão, interpretado , aparece e desaparece sem aviso, criando uma sensação constante de paranoia. Em alguns momentos, apenas um dos protagonistas consegue vê lo. Em outros, ele parece existir de verdade. Essa dúvida ajuda a manter a tensão viva durante boa parte do longa.

Sustos funcionam
Mesmo sem reinventar o gênero, Passageiro do Mal entrega algumas cenas de terror extremamente eficazes. A sequência em um estacionamento abandonado é uma das melhores do filme, usando silêncio, iluminação escura e movimentos lentos para aumentar a ansiedade do público. Outra cena, envolvendo Tyler embaixo da van, também consegue prender a atenção do começo ao fim.
O grande destaque, porém, acontece em um acampamento ao ar livre. Enquanto um filme antigo passa em um projetor, o Passageiro surge escondido nas sombras e chega a assumir a aparência de Gregory Peck na tela. É uma cena criativa, visualmente forte e que mostra o talento de Øvredal para construir terror atmosférico.
O problema é que esses momentos representam apenas uma pequena parte do filme. O roteiro nunca explica direito as regras da entidade sobrenatural, nem desenvolve o suficiente a mitologia envolvendo símbolos de viajantes e o medalhão de São Cristóvão apresentado na história. Em vez de aprofundar o mistério, o longa prefere seguir acumulando sustos.
Ainda assim, Lou Llobell e Jacob Scipio ajudam bastante a manter o filme interessante. Os dois possuem química natural e conseguem fazer o público se importar com o casal, algo raro em muitos filmes de terror atuais. A fotografia escura, mas sempre clara o suficiente para acompanhar a ação, também merece destaque.
Passageiro do Mal funciona melhor como experiência de tensão do que como história completa. Quando o filme tenta explicar demais perto do final, tudo começa a perder força rapidamente. Mesmo assim, André Øvredal mostra mais uma vez que entende muito bem como construir cenas assustadoras e prender a atenção do público.
Passageiro do Mal está em cartaz nos cinemas.
Nota: 3 de 5 estrelas
