Por Equipe JK

Por – A 3ª temporada de Euphoria enfim chegou em sua reta final e a balança de qualidade até aqui foi, no mínimo, irregular. O 5º episódio, entretanto, apesar de não mudar o rumo da temporada, apresenta lampejos de um desenvolvimento, demonstrando um pequeno deslocamento genuíno dentro do que essa temporada se propôs a ser.

Vale reconhecer que a temporada tem custado a encontrar seu tom e acumula cenas sobre situações que se repetem sem avanço real, mas que, ocasionalmente, entrega indícios do que poderia ser se o roteiro estivesse à altura do elenco e da fotografia.

Euphoria – Crítica: 4º episódio é o mais morno em uma temporada difícil de defender

Cassie e Maddy: a relação mais interessante da temporada

Desde o segundo episódio, quando Maddy apareceu como a empresária improvável da ex-melhor amiga, havia uma ambiguidade deliberada sobre seus objetivos. Ainda não havia ficado claro se ela buscava vingança, oportunismo ou algum meio de destruir a vida da colega traidora. 

O quinto episódio começa a dar melhores indícios dessa relação e mostra que, na verdade, é uma junção de tudo isso. Maddy age com uma frieza que a transforma em uma das personagens mais interessantes que a temporada construiu até aqui. Ela não quer destruir Cassie, quer monetizá-la e tirar proveito disso.

O que torna esse arco ainda mais rico é o que revela sobre Cassie. Debaixo de todas as cenas explícitas, das polêmicas e dos podcasts com falas de efeito, o que existe ainda é aquela menina do colégio desesperada por validação. Ela ainda é a mesma que conhecemos nas primeiras temporadas, agora num contexto onde o número de seguidores substituiu a aprovação do corredor. 

Sydney Sweeney carrega tudo isso com uma entrega que, goste dela ou não fora das telas, é inegavelmente uma das mais completas do elenco. É ela quem sustenta a complexidade de uma personagem que acabou assumindo, quase por acidente, o protagonismo que a temporada nunca planejou formalmente dar a ninguém.

A cena da gigante que destrói Los Angeles é o melhor exemplo de quando a temporada lembra que ainda sabe ser cinematograficamente ousada. Visualmente inventiva e cheia de energia, ela funciona… até o momento em que o olhar de Levinson aparece mais uma vez onde não deveria. Esse é um padrão que, a essa altura, já dispensa comentários adicionais, assim como a opinião sobre os longos primeiros minutos do episódio. 

Euphoria – Crítica: 3º episódio é o reflexo completo da série nas mãos de Sam Levinson

O que segue perdido

Jules, por outro lado, segue sendo presença fantasma numa temporada que não sabe o que fazer com ela. Uma das personagens mais complexas das primeiras temporadas continua sendo tratada como coadjuvante ocasional, com cenas que existem para confirmar que ela ainda está na série e nada mais. 

O episódio entrega um momento entre ela e Rue com verdadeiro potencial de aprofundamento, e então o descarta para retornar a Ellis, que a cada aparição reforça o incômodo já apontado aqui sobre o olhar fetichista que a temporada insiste em manter sobre ela.

Nate segue sua trajetória de colapso progressivo, cada vez mais patético e tomando decisões autodestrutivas. Há algo quase cômico na consistência com que a série o humilha — e aqui, confesso que tem sido deliciosa a jornada de reparação histórica por tudo que fez nas temporadas anteriores. 

Euphoria: Crítica – 2º episódio deixa claro que coerência e profundidade não são a mesma coisa

O arco de Rue e o tom da série

O arco de Rue segue sendo o mais sólido tecnicamente, Zendaya continua excelente e o cliffhanger do episódio é genuinamente tenso, mas, a cada episódio, carrega um problema crescente: ele parece deslocado em relação às outras tramas. 

A série ainda não conseguiu definir um tom único, e essa oscilação causa uma sensação constante de estranhamento, como se estivéssemos assistindo a episódios de séries diferentes que compartilham os mesmos personagens. O western noir de Rue, a comédia ácida de Cassie, o drama doméstico de Nate, tudo coexiste sem se conectar de verdade.

A maior falta, no entanto, é a ausência de diálogos verdadeiramente reais, profundos e/ou relevantes. Os personagens apresentam nuances que nunca são exploradas de fato e, frente a uma qualidade técnica inegável, é lamentável ver o que a série se tornou. 

Além disso, ainda é perturbador, e vale reafirmar, que numa série protagonizada exclusivamente por mulheres, todas estejam envolvidas em algum grau com trabalho sexual ou situações degradantes (e há uma quantidade inacreditável de takes que deixam claro para quem essa temporada foi feita).

Pode-se até defender que elas colheram o que suas versões mais jovens plantaram, mas realmente não cabia um aprofundamento maior em suas complexidades? Resumir elas a isso, sem explorar suas camadas e as consequências de suas ações, não me parece ser a melhor forma de justificar um roteiro que insiste em tentar convencer que tem algo a dizer.

Com três episódios restantes e sendo essa a última temporada, apostar num bom final exige uma fé que a temporada, até aqui, simplesmente não justificou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verified by MonsterInsights