Por Equipe JK
A Apple TV+ existe desde 2019, menos de sete anos, e já entrou na conversa sobre os melhores streamings do mundo. Quando o assunto são as séries da Apple TV, o reflexo é automático: Ruptura, Ted Lasso, The Morning Show. São ótimas, claro. Mas o catálogo tem um segundo andar que pouca gente visita.
Se você assina a plataforma (ou está considerando assinar), estas 7 séries provam que vale ir além do óbvio. Comédias, dramas, thrillers psicológicos, mistérios de assassinato, todas disponíveis agora na Apple TV+.
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Uma Questão de Química
Brie Larson, vencedora do Oscar , interpreta Elizabeth Zott, uma química brilhante na Santa Monica dos anos 1950 que acaba na frente de uma câmera de TV apresentando um programa de culinária. Não porque quis, porque foi a única porta que o mundo machista daquela época deixou entreaberta.
A adaptação do romance de Bonnie Garmus equilibra humor e indignação com uma precisão rara. O roteiro não deixa Elizabeth virar mártir nem heroína, ela é inteligente, frustrada, irônica.
Larson entrega cada nuance com uma contenção que chama mais atenção do que qualquer discurso. Minissérie com começo, meio e fim em 8 episódios. Compromisso zero com continuação.

O psiquiatra ao lado
Baseada no podcast jornalístico de Joe Nocera, esta minissérie conta a história real de Marty Markowitz, um homem ansioso e vulnerável dos anos 1980 que cai nas mãos do Dr. Ike Herschkopf, um psiquiatra que transforma o relacionamento terapêutico em algo perturbadoramente controlador ao longo de décadas.
Will Ferrell é a surpresa da série. Você o acostumou no modo caos, aqui ele está quieto, pequeno, confuso de um jeito que dói. Paul Rudd usa exatamente o charme que o tornou famoso para fazer o doutor Ike parecer completamente razoável até o momento em que você percebe o tamanho do que está vendo.

Physical
Anos 1980, San Diego. Sheila Rubin (Rose Byrne) é a esposa perfeita de um candidato político medíocre, presa em um casamento que a diminui e travando uma guerra silenciosa contra si mesma. A aeróbica começa como escape, vira obsessão, vira negócio, vira poder.
Physical é uma das séries mais honestas sobre saúde mental e imagem corporal já produzidas, e faz isso sem ser didática nem confortável. O roteiro nunca simplifica Sheila em vítima ou em vilã, e Rose Byrne carrega três temporadas alternando vulnerabilidade e crueldade de um jeito que devia ter enchido a lista de indicações ao Emmy, mas infelizmente não encheu.

Depois da Festa
O formato é o conceito: cada suspeito de um assassinato conta sua versão da noite, e cada versão é filmada no estilo de um gênero cinematográfico diferente. Um episódio é comédia romântica. Outro é thriller de ação. Outro é musical animado. A detetive Danner (Tiffany Haddish) tenta encontrar a verdade no meio de narrativas que contradizem umas às outras.
A primeira temporada acontece em uma reunião de ex-colegas do ensino médio, em que o popstar do grupo (Dave Franco) aparece morto. A segunda leva o conceito a um casamento, noivo novo, suspeitos novos, a mesma fórmula que a torna viciante.
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Amor Platônico
Seth Rogen e Rose Byrne já contracenam desde Vizinhos. A química está lá, comprovada. Em Amor Platônico, eles são amigos de infância que se afastaram e tentam se reconectar, ele acabou de se separar, ela está em um casamento e maternidade que às vezes sufocam.
O diferencial da série é a insistência em não ceder ao clichê. A premissa grita “vão terminar juntos” e o roteiro passa a temporada inteira recusando essa saída. A amizade adulta: complexa, inconveniente, absolutamente necessária, é o assunto de verdade.

Palm Royale
Palm Beach, 1969. Maxine (Kristen Wiig) quer entrar no clube social mais exclusivo da cidade, e faz isso da única forma que tem: se enfiando onde não foi convidada. A matriarca do clube (Carol Burnett, aos 90 anos) está em coma. A situação é conveniente.
O elenco seria difícil de reunir mesmo com orçamento sem limite: Burnett em forma, Laura Dern como ativista feminista que destoa de tudo ao redor, Allison Janney em modo de suspeita de luxo. O visual é uma festa, figurinos, cenografia e paleta de cores que transformam cada cena em cartão-postal dos anos 60.

Stick
Owen Wilson como Pryce Cahill, ex-jogador de golfe profissional que virou uma bagunça e agora orienta um adolescente prodígio coreano-americano (Peter Dager) com potencial para ser o próximo grande nome do esporte. A comparação com Ted Lasso é inevitável, e não é ruim.
Stick tem o mesmo DNA de comédia sobre esporte com coração. Mas o golfe, com sua cultura de elite e tradições sufocantes, oferece um contexto diferente de Manchester. Wilson está no registro que funciona melhor para ele: levemente perdido, mas genuíno. A dupla com Dager demora um episódio ou dois para engrenar, e vale a paciência.
