Por Equipe JK

Chegamos no episódio 15 de Classroom of the Elite esperando a luta. Todo mundo esperava a luta, e a anime simplesmente se recusa a entregá-la. O que parece decepção, na verdade, é a jogada mais elegante da temporada. E é sobre isso que precisamos conversar.

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O soco que vale mais que qualquer duelo

Nagumo foi construído temporada após temporada como o grande rival à altura: ex-presidente do conselho estudantil, carisma de sobra, uma obsessão pessoal pelo Ayanokoji costurada desde o elogio do Manabu até o valor astronômico que colocaram na cabeça dele.

Era a configuração perfeita para um confronto de arco de torneio. E o que Classroom of the Elite entrega no lugar? Um empurrão, um soco no estômago e fim de papo. O Nagumo cai como peça de dominó.

Sei que parte do público vai ler isso como uma construção desperdiçada, e eu entendo a frustração, mas discordo dela. Porque a recusa em transformar aquilo numa luta é exatamente a humilhação. O Ayanokoji não nega o confronto porque não consegue: ele nega porque o Nagumo simplesmente não é importante o bastante para merecer o tempo dele.

Ryuen contra Hosen: a violência que o protagonista não precisa cometer

O grande acerto do episódio é esse contraste. Enquanto nega ao protagonista a luta visceral, o anime terceiriza a violência para o Ryuen. O confronto contra o Hosen é tudo o que o duelo com o Nagumo se recusa a ser: sangrento, sujo, sem coreografia heroica.

O Ryuen apanha muito. Ele não tem a força para vencer no mano a mano, e o anime tem a honestidade de não fingir que tem. A vitória vem da única forma coerente com o personagem: imobilizando o adversário com a ajuda do Ishizaki e do Albert para então desferir os golpes.

É feio, é desonesto e é absolutamente fiel a quem ele é. Não é à toa que o Ryuen virou um dos antagonistas mais queridos, é o cara que aprende com os próprios erros e nunca repete a burrice de subestimar o terreno. A própria lição que ele verbaliza, sobre não encarar um gorila de igual para igual, é a tese da cena inteira.

O único terreno onde Ayanokoji não domina

Mas o que vai dar o que falar não é nenhuma das duas lutas. É a confissão da Ichinose, e aqui o episódio toca no único terreno em que o Ayanokoji é genuinamente “analfabeto”fraco”. Ele domina a violência, domina a estratégia, domina a manipulação. Diante de um sentimento sincero, ele trava.

A ausência de uma resposta clara não é jogada nem cálculo: é incapacidade. É um personagem criado para não sentir sendo confrontado com algo que não tem repertório para processar.

Confesso que a virada da Ichinose chega um pouco abrupta para quem acompanha só o anime, muita coisa que sustentava esse afeto foi cortada das temporadas passadas, mas o gesto em si é corajoso e a leitura emocional é a mais rica da temporada até agora.

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Um Ayanokoji apressado

O aspecto mais interessante do episódio, no fim das contas, é o estado mental de Ayanokoji. Estamos vendo uma versão bem diferente daquela figura sempre calma, observando tudo à distância e manipulando o tabuleiro com precisão. Aqui, ele se mostra mais exposto, disposto a pedir ajuda a Ryuen, ficar em dívida com Sakayanagi e até agir de forma direta contra Nagumo.

Para um personagem cuja principal característica sempre foi evitar envolvimento direto, tanta urgência chama atenção. E talvez seja justamente aí que esteja a chave para entender suas ações. Ayanokoji não parece especialmente preocupado com rankings ou disputas internas da escola. Seu verdadeiro objetivo continua sendo alcançar o diretor interino, enquanto todo o resto funciona apenas como um obstáculo que precisa ser removido o mais rápido possível.

O episódio trabalha diferentes formas de poder (físico, institucional e emocional) e usa Ayanokoji como ponto de convergência entre elas. Com o embate contra Tsukishiro e Shiba cada vez mais próximo, a sensação é de que todas as peças finalmente estão se movendo em direção ao confronto que a temporada vem preparando há tanto tempo.

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A 4ª temporada de Classroom of the Elite está disponível no Crunchyroll.

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