Por Equipe JK

Esquece o vampiro brilhoso de Crepúsculo. Esquece o galã sombrio de Entrevista com o Vampiro. E pode esquecer o Drácula. Tem um filme escondido no catálogo da Netflix que reinventa o gênero de um jeito que ninguém esperava, e a maioria das pessoas ainda nem percebeu que ele existe.

Estamos falando de Vampira Humanista Procura Suicida Voluntário, uma joia canadense que faz aquilo que praticamente nenhum filme de vampiro consegue há anos: surpreender de verdade.

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Sobre o que é o filme

A protagonista é Sasha (vivida , uma vampira que carrega um problema bem maior do que o tédio da imortalidade: ela é sensível demais para matar. Aos 68 anos vampíricos, mas com cara de adolescente, Sasha vive numa boa, sustentada pelos pais, que enchem a geladeira com bolsas de sangue como se fossem caixinhas de suco.
Só que a paciência da família tem limite.

Cansados de ver a filha incapaz de “se virar sozinha”, os pais cortam o suprimento de sangue. Resultado: ou Sasha aprende a caçar humanos, ou morre de fome. Pequeno detalhe — ela não consegue nem ver alguém sofrer sem se desmontar emocionalmente.

A solução aparece num lugar improvável: Paul (Félix-Antoine Bénard), um adolescente solitário, vítima de bullying e cansado da própria vida. Ele se oferece para ser o jantar dela.

Por que esse filme é tão diferente?

O que faz Vampira Humanista Procura Suicida Voluntário se destacar entre as melhores produções de vampiro dos últimos anos é a coragem de recusar todos os clichês. Aqui não tem caçador heroico de jaqueta de couro, não tem castelo gótico empoeirado, não tem amor proibido nos moldes de sempre.

A diretora estreante Ariane Louis-Seize transforma o mito do vampiro em metáfora para coisas que falam direto com a geração atual: depressão, saúde mental, eutanásia e neurodivergência. Tudo embalado num humor delicado, quase melancólico, e numa fotografia em tons pastéis que poderia ser uma playlist visual do Spotify.

A própria diretora deu uma definição que resume bem o tom da obra: ela queria fugir da relação romântica padrão e construir uma história de almas gêmeas, sem beijo, sem cena de sexo, só o desejo profundo de conexão humana entre dois jovens que se sentem fora do mundo.

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A estética é metade da experiência

Tem um detalhe que conquista de cara: a trilha suave de teclado, tocada pela própria protagonista, acrescenta ternura ao quadro macabro.

O filme inteiro é uma carta de amor ao indie melancólico, com luzes neon, planos contemplativos e ambientes que parecem saídos de um vinil de synthwave.

É o tipo de filme que funciona tanto numa sessão sozinho de madrugada quanto num cineclube com amigos.

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