Por Equipe JK
Por – Assistir à 3ª temporada de Euphoria tem sido uma verdadeira aposta. Em cada play semanal não se sabe exatamente o que vai encontrar, e o quarto episódio entregou a versão mais monótona da série até aqui.
Caminhando para o meio da temporada após eventos frenéticos do casamento de Cassie e Nate, o episódio dessa semana desacelera e existe, basicamente, para dizer que existiu e, em uma temporada que já vinha sendo questionada pela superficialidade com que trata seus próprios temas, um episódio morno é um indicativo para lá de negativo.

O único arco que funciona… com ressalvas
Rue segue sendo o único fio narrativo que a temporada consegue sustentar com alguma consistência, e nesse episódio ela carrega um peso considerável se tornando informante da DEA e operando dentro do clube como “X9” sem se entregar.
É nas cenas em que ela se senta à mesa de pôquer com Alamo, tentando conduzir uma conversa para um lugar que ele jamais aceitaria naturalmente, que o episódio encontra seus momentos de tensão real.
Rue está visivelmente à beira do colapso, Alamo segue cada vez mais desconfiado, e o episódio inteiro prende o espectador nesse fio em diferentes situações que se tornam o único gatilho emocional. Zendaya carrega essas cenas com a consistência de sempre, e é ela, mais uma vez, quem mantém a série assistível.
Mas mesmo aqui há um limite. O arco de Rue é o mais sólido da temporada, de fato, mas sólido dentro de um contexto que já não exige muito. A tensão existe, funciona pontualmente, e ainda assim não chega a ser realmente cativante ao ponto de deixar o espectador verdadeiramente entretido.
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Sem emoção e sem tempero
O restante do episódio é difícil de analisar com profundidade simplesmente porque não oferece muitas informações para serem analisadas.
Cassie segue em busca de dinheiro a todo custo – a dívida (de U$1 milhão) de Nate se torna a gota d’água para entrar de vez nesse universo – e ela e Maddy dividem cenas que giram em torno de uma estratégia de visibilidade online cujo objetivo segue vago.
A relação entre elas, aliás, é um ponto que genuinamente gera interesse. O que exatamente Cassie está buscando? O que Maddy está planejando com Cassie? Vingança? Oportunismo financeiro às custas da amiga? Há algo ali que desperta atenção, mas com cautela, já que a temporada ainda não deu indícios suficientes de que vai desenvolver essa ambiguidade de forma satisfatória.
Nate aparece numa cena no conselho municipal que deveria ter algum tipo de impacto, mas passa em branco; e Jules e Lexi compartilham um subplot que, tentando muito, dá para perceber que Sam Levinson está tentando dizer alguma coisa — claramente não está sendo bem-sucedido —, e o resultado é um arco que não contribui o suficiente para justificar o espaço que ocupa.
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O abismo que só cresce
O que esse episódio torna mais evidente do que qualquer outro até aqui é o abismo entre o que a série consegue tecnicamente e o que entrega narrativamente.
A fotografia continua impecável, as atuações seguem acima do que o roteiro merece, e há enquadramentos que lembram porque Euphoria foi, em algum momento, uma referência estética na televisão – mesmo que bem diferente da visão de Petra Collins nas duas primeiras temporadas.
Ver tudo isso a serviço de um roteiro que pouco tem a dizer é a frustração mais persistente dessa nova fase, e o quarto episódio não resolve, não propõe e não arrisca nada de novo.
A série segue assistível, mas se eu pudesse usar uma palavra para descrever esses quatro episódios até aqui, “frustrante” é o adjetivo que impera.
