Por Equipe JK
Berlim retorna à Netflix tentando expandir ainda mais o universo de La Casa de Papel, mas a nova temporada mostra que o spin-off começa a sofrer com o desgaste da fórmula criada . Em Berlim e a Dama com Arminho, o personagem de Pedro Alonso continua carismático, elegante e teatral, mas agora preso em uma história que parece mais interessada em melodrama do que no próprio roubo.
Ambientada em Sevilha, a trama acompanha Berlim e Damián reunindo a equipe para um novo golpe envolvendo a famosa pintura Dama com Arminho. Porém, o plano rapidamente se transforma em uma mistura de vingança, romances complicados e conflitos pessoais que ocupam mais espaço do que o assalto em si.
A série continua visualmente sofisticada. Os cenários luxuosos, a fotografia quente e a direção estilizada mantêm aquela identidade exagerada que virou marca da franquia. Tudo parece calculado para transformar cada cena em um espetáculo elegante. O problema é que, por trás da beleza, existe uma narrativa cada vez mais cansada.
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Muito romance, pouca tensão
Diferente de La Casa de Papel, que transformava cada episódio em uma corrida contra o tempo cheia de suspense, Berlim prefere focar quase totalmente nos relacionamentos dos personagens. O resultado é uma temporada com pouca urgência narrativa e muitos dramas que parecem andar em círculos.
Os romances dominam praticamente toda a história, mas raramente conseguem criar emoção verdadeira. As reviravoltas existem, mas quase sempre soam mecânicas e previsíveis. Em vários momentos, a série parece esquecer que deveria ser um thriller de assalto.
Os personagens secundários também sofrem. A equipe nunca desenvolve a mesma química vista na série original, e boa parte do elenco parece existir apenas para alimentar subtramas amorosas. Falta profundidade, conflito e até personalidade para muitos deles.
Quem continua sustentando a produção é Pedro Alonso. O ator segue excelente no papel de Andrés de Fonollosa, equilibrando arrogância, charme, tristeza e humor com enorme facilidade. Mesmo quando o roteiro perde força, Berlim continua sendo um personagem magnético.
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A série também acerta em alguns momentos de ação. A perseguição de carros, por exemplo, está entre as melhores sequências da temporada e mostra que esse universo ainda sabe criar cenas visualmente fortes quando quer.
O grande problema é que Berlim e a Dama com Arminho nunca encontra um motivo realmente convincente para existir. A produção repete fórmulas já conhecidas da franquia: o assalto impossível, os romances exagerados, os diálogos teatrais e as traições internas. Só que agora tudo parece menos original e menos empolgante.
A sensação é de que o spin-off foi criado mais para prolongar o sucesso de La Casa de Papel do que para contar uma nova história necessária. Ainda existe entretenimento, charme e estilo visual, mas falta impacto.
No fim, Berlim continua interessante graças ao talento de Pedro Alonso, mas a série já começa a mostrar sinais claros de desgaste.
Os 8 episódios de Berlim e a Dama com Arminho estão disponíveis na Netflix.
Nota: 2 de 5 estrelas
