Por Equipe JK

O terror vive uma ótima fase nos últimos anos. Filmes criativos, ousados e cheios de personalidade aparecem o tempo todo no cinema e no streaming. Por isso, Dolly: A Boneca Maldita acaba chamando atenção pelo motivo errado: parece preso em outra época, reciclando ideias sem conseguir dar vida própria a nenhuma delas.

Dirigido , o longa acompanha Macy, personagem de Fabianne Therese, e Chase, vivido , um casal prestes a dar um novo passo na relação. Durante uma trilha em uma floresta, os dois encontram um estranho altar cheio de bonecas penduradas em árvores. Como manda a tradição dos filmes de terror, eles ignoram todos os sinais de perigo possíveis.

Pouco depois, Chase desaparece ao encontrar uma figura assustadora usando uma máscara de porcelana. Macy acaba sequestrada pela misteriosa Dolly e levada para uma casa isolada no meio da floresta. O problema é que, a partir daí, o filme praticamente para de acontecer.

Mesmo com menos de 80 minutos, Dolly: A Boneca Maldita consegue parecer longo e arrastado. Falta ritmo, falta tensão e, principalmente, falta urgência. A protagonista passa grande parte da trama sem reagir ao próprio perigo, tornando difícil qualquer envolvimento emocional do público.

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Sem identidade

O filme claramente tenta beber da fonte de diretores como Rob Zombie e de produções como Noites Brutais, mas nunca encontra uma identidade própria.

Existe até uma tentativa interessante de criar um visual inspirado nos filmes exploitation dos anos 1970. A fotografia em 16mm dá textura à imagem e ajuda a construir uma atmosfera suja e desconfortável. Porém, o longa mistura essa estética antiga com elementos modernos de forma estranha, quebrando completamente a imersão.

Além disso, Dolly: A Boneca Maldita parece perdido entre diferentes estilos. Em alguns momentos quer ser um terror psicológico, em outros aposta em violência gratuita e personagens exagerados. Nenhuma dessas ideias funciona de verdade.

O terceiro ato deixa ainda mais clara a influência de Rob Zombie, especialmente na introdução de personagens caricatos e cenas feitas apenas para chocar. A diferença é que Zombie costuma ter personalidade visual e controle sobre o tom de seus filmes. Dolly não demonstra nenhuma dessas qualidades.

Nem mesmo os temas que o filme sugere no início recebem desenvolvimento. Questões sobre maternidade, medo de compromisso e trauma aparecem rapidamente, mas acabam abandonadas no meio do caminho.

Outro problema está nas atuações. Fabianne Therese entrega uma protagonista sem emoção, mesmo diante de cenas que deveriam transmitir medo ou desespero. A sensação é de assistir alguém completamente desligado do caos ao redor.

No fim, Dolly: A Boneca Maldita desperdiça uma premissa que poderia render algo interessante. Há pequenos acertos na fotografia e no visual da vilã, mas isso não é suficiente para sustentar um terror que raramente assusta, surpreende ou prende a atenção.

O resultado é um filme vazio, sem personalidade e sem qualquer impacto real. Em um momento tão forte para o gênero, Dolly: A Boneca Maldita acaba parecendo uma produção perdida no passado.

Dolly: A Boneca Maldita está em cartaz nos cinemas.

Nota: 1 de 5 estrelas

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