Por Equipe JK

Isso Ainda Está de Pé? poderia facilmente ter sido apenas mais uma comédia sobre separação. O tema já foi explorado inúmeras vezes no cinema, muitas delas exagerando no drama ou transformando relacionamentos fracassados em piadas vazias.

Mas o novo filme dirigido , que está disponível no Disney+, escolhe um caminho muito mais humano. O resultado é uma produção surpreendentemente delicada, engraçada e emocionalmente honesta.

A trama acompanha Alex, interpretado , e Tess, vivida , um casal que decide se separar após mais de 20 anos juntos. Não existe traição explosiva, gritos constantes ou grandes vilões. Existe apenas o desgaste silencioso de duas pessoas que já não sabem mais se conseguem continuar felizes dentro do casamento. É justamente essa simplicidade que faz o filme funcionar tão bem.

Enquanto Tess tenta redescobrir antigos sonhos e encontrar um novo caminho para si mesma, Alex mergulha em uma crise existencial inesperada. Em uma das melhores ideias do roteiro, ele acaba entrando no mundo do stand-up comedy quase por acidente, usando o palco como forma de lidar com a dor, a confusão e o vazio deixados pela separação.

Humor e tristeza caminham juntos

O grande mérito do roteiro escrito , Mark Chappell e Will Arnett está em nunca transformar os personagens em caricaturas.

Alex não vira um homem amargo reclamando da ex-esposa, enquanto Tess também não é retratada como alguém fria ou distante. O filme tenta entender os dois lados da relação, explorando perguntas difíceis sobre casamento, felicidade e identidade.

Existe uma maturidade rara na forma como Isso Ainda Está de Pé? aborda o tema. A história entende que, muitas vezes, relacionamentos acabam não por falta de amor, mas porque as pessoas simplesmente mudam.

Ao mesmo tempo, o longa nunca abandona seu lado cômico. Algumas das cenas mais engraçadas surgem justamente do desconforto dos personagens tentando seguir em frente.

O elenco de apoio também ajuda bastante nesse equilíbrio. Christine Ebersole rouba cenas como a mãe de Alex, enquanto o personagem Balls, interpretado pelo próprio Bradley Cooper, adiciona um caos divertido sempre que aparece.

Mas quem realmente carrega o filme é Will Arnett. Conhecido principalmente pela comédia, o ator entrega aqui talvez um de seus trabalhos mais sensíveis no cinema. Alex é engraçado, perdido, frustrado e vulnerável ao mesmo tempo. O público entende rapidamente sua sensação de vazio e acompanha seu crescimento emocional ao longo da história.

Laura Dern também ganha espaço conforme o filme avança. O roteiro inicialmente acompanha mais Alex, mas aos poucos Tess se torna igualmente importante, permitindo que Dern explore as dores e inseguranças da personagem com enorme naturalidade.

Um filme pequeno com emoções grandes

Na direção, Bradley Cooper mantém o estilo intimista que já mostrou em trabalhos anteriores. A câmera permanece muito próxima dos personagens, especialmente de Alex, transmitindo insegurança e instabilidade emocional sem precisar exagerar nos diálogos.

A trilha sonora também funciona muito bem por ser discreta. Em vez de manipular emoções, ela acompanha os momentos mais sensíveis da história de maneira leve e natural.

Mesmo sem grandes reviravoltas, Isso Ainda Está de Pé? consegue prender justamente porque parece real. O filme entende que separações nem sempre acontecem de forma explosiva. Às vezes, elas chegam lentamente, acompanhadas por dúvidas, medo e a difícil tentativa de descobrir quem você é depois de passar tanto tempo ao lado de outra pessoa.

Bradley Cooper entrega uma dramédia calorosa, sincera e inesperadamente confortável. Um filme que faz rir, machuca em alguns momentos e termina deixando uma sensação agridoce bastante verdadeira.

Isso Ainda Está de Pé? está disponível no Disney+.

Nota: 4 de 5 estrelas

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