Por Equipe JK
Sou a Frankelda já entra para a história por ser o primeiro longa-metragem em stop motion produzido no México. Felizmente, seu maior mérito não está apenas nesse feito. A animação dos irmãos Roy e Arturo Ambriz entrega uma experiência visual impressionante, repleta de imaginação, personalidade e amor pela fantasia sombria.
Prelúdio da série Frankelda’s Book of Spooks, o filme da Netflix acompanha Francisca Imelda, uma jovem escritora do século XVIII que sonha em publicar suas histórias. No entanto, sua fascinação por monstros, criaturas estranhas e contos assustadores a transforma em uma figura deslocada em sua própria comunidade. Tudo muda quando um personagem criado por ela ganha vida e a leva para um reino fantástico escondido sob o mundo humano.
Desde os primeiros minutos, fica evidente a influência de Guillermo del Toro, que participou do projeto como consultor. A paixão por monstros, excluídos e mundos fantásticos lembra obras como Pinóquio, de del Toro, O Estranho Mundo de Jack e até Viva: A Vida é uma Festa. Ainda assim, Sou a Frankelda possui identidade própria e encontra um caminho visual bastante particular.

Espetáculo visual
O grande destaque do filme é sua animação. Cada cenário parece construído com um nível impressionante de detalhe. O reino subterrâneo de Topus Terrenus é repleto de criaturas estranhas, construções gigantescas e pequenos elementos que enriquecem a experiência visual a cada cena.
O trabalho dos animadores impressiona especialmente nos personagens. As criaturas possuem designs criativos e expressivos, enquanto os movimentos mantêm a fluidez necessária para dar vida a esse universo fantástico.
As sequências musicais também ajudam a tornar a jornada mais envolvente. Embora as canções não sejam particularmente memoráveis, elas cumprem bem a função de desenvolver a narrativa e apresentar novos aspectos daquele mundo.
Entre todas, a cena em que Herneval apresenta seu reino para Frankelda se destaca como um dos momentos mais bonitos e imaginativos do longa.

Quando a história complica demais
O filme funciona melhor quando mantém o foco na jornada de Frankelda como artista. Existe uma mensagem interessante sobre criatividade, reconhecimento e a dificuldade enfrentada por mulheres escritoras ao longo da história.
A decisão da protagonista de adotar o nome Frankelda para publicar seus textos traz uma camada emocional e histórica que fortalece a narrativa. O problema surge quando a trama tenta expandir excessivamente sua mitologia.
Conforme a história avança, o roteiro introduz novos conceitos envolvendo sonhos, pesadelos, realidades paralelas e elementos cada vez mais complexos. O resultado é uma segunda metade confusa, que exige muito do público sem oferecer explicações igualmente satisfatórias.
Em vários momentos, a sensação é de que os criadores tiveram tantas ideias interessantes que decidiram colocar todas ao mesmo tempo na tela. Isso não chega a comprometer totalmente a experiência, mas reduz parte do impacto emocional da história e torna o final menos satisfatório do que poderia ser. Ainda assim, mesmo quando o roteiro tropeça, a animação continua brilhando.
Sou a Frankelda é uma demonstração impressionante do potencial da animação mexicana. É um filme criativo, visualmente deslumbrante e cheio de personalidade. Sua narrativa ambiciosa nem sempre consegue acompanhar a força de suas ideias, mas a imaginação presente em cada quadro faz com que a viagem valha a pena.
Nota: 4 de 5 estrelas