Por Equipe JK

A Múmia (1999) é um daqueles filmes que aparecem no streaming, prendem qualquer um por dez minutos e ainda dão a sensação de que o cinema de aventura escapista nunca mais fez nada parecido.

Só que reassistir o longa-metragem de Stephen Sommers em 2026, especialmente agora que A Múmia 4 já tem data de estreia marcada para 19 de maio de 2028, com Brendan Fraser e Rachel Weisz de volta nos papéis de Rick e Evelyn O’Connell, é também perceber o quanto a franquia envelheceu em alguns pontos específicos.

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1. Beni e os estereótipos étnicos que o filme nunca questiona

Beni Gabor é a sombra do Rick. Covarde, traidor, choroso, ele existe basicamente para ser desprezível, e isso seria ótimo se o filme tratasse os outros personagens não-ocidentais com a mesma atenção que dá ao protagonista. Não trata. Gad Hassan, o carcereiro, é caricato.

Os habitantes egípcios em geral aparecem como figurantes barulhentos, sem profundidade. Até os caçadores de tesouro americanos rivais ganham mais nuance do que qualquer árabe na tela.

Em 1999, isso passou. Hoje a leitura é direta: o filme se posiciona do lado do colonizador britânico sem nem perceber que está fazendo isso. E essa é a parte mais desconfortável, porque o roteiro nem sequer trata o assunto como debate.

2. A primeira interação entre Rick e Evelyn é, na prática, um beijo forçado

A cena é famosa. Evy pergunta sobre Hamunaptra, Rick diz que vai contar, puxa ela com força e a beija sem consentimento nenhum. O filme até reconhece que houve algo errado na sequência seguinte, com Evy esbofeteando ele, mas trata tudo como charme rebelde de aventureiro. Brincadeira de mocinho safado.

Romance dos anos 90 funcionava nessa lógica de “ele beija primeiro, pergunta depois”. Só que reassistir hoje, sabendo que esse é o ponto de partida da relação que sustenta toda a franquia, é estranho. A química entre Fraser e Weisz é tão forte que o filme se salva apesar da cena. Não por causa dela.

3. O furo de linha do tempo que faz Alex O’Connell envelhecer mais rápido que o normal

A Múmia se passa em 1926. O Retorno da Múmia, em 1933. Sete anos depois, portanto. Só que Alex, o filho de Rick e Evy, aparece no segundo filme com oito anos de idade. A conta não fecha nem com muita boa vontade, mesmo considerando que o casal teria se conhecido, se apaixonado, casado e tido o garoto logo de cara.

Pequeno detalhe? Sim. Mas é o tipo de descuido que mostra como a sequência foi planejada na pressa para aproveitar o sucesso do primeiro filme. As novelizações tentaram amenizar a contradição depois, sem muito sucesso.

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4. A imprecisão histórica é maior do que a licença criativa permite

Hamunaptra não existe. Tudo bem, é ficção. O problema é que A Múmia transforma o sumo sacerdote Imhotep, figura real e fascinante da história egípcia, num vilão genérico sedento de vingança e amor proibido. O Imhotep histórico foi arquiteto, médico, vizir, depois divinizado. O filme apaga isso para entregar um monstro CGI.

Pior: o roteiro liga as dez pragas do Egito ao despertar de Imhotep, ignorando que as pragas, segundo a própria tradição bíblica, aconteceram no reinado de Ramessés II, sucessor de Seti I.

Imhotep teria sido amaldiçoado antes das pragas existirem. É o tipo de coisa que egiptólogos repetem há mais de duas décadas, e que o filme nunca se preocupou em corrigir.

5. A traição com Rachel Weisz no terceiro filme

Esse é o ponto mais doloroso para quem ama a trilogia. Em A Múmia: Tumba do Imperador Dragão (2008), Evelyn deixa de ser interpretada .

A justificativa oficial envolveu a agenda de Weisz, que havia acabado de ter um filho, mas a produção optou por simplesmente seguir em frente em vez de adaptar o cronograma.

Stephen Sommers, diretor dos dois primeiros filmes, provavelmente não teria deixado isso acontecer. A química entre Fraser e Weisz era metade do que sustentava a franquia. Trocar a atriz foi tratar Rachel Weisz como peça substituível, e o resultado em bilheteria e crítica mostrou que o público sentiu na hora.

A Múmia está disponível no Prime Video.

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