Por Equipe JK
Se você não tinha nada planejado pra essa noite, a Globo acabou de resolver o seu problema. O Tela Quente desta segunda-feira exibe Nomadland, um daqueles filmes que falam de algo que todo mundo já sentiu: a sensação de não saber bem aonde pertence.
Lançado em 2020, o longa venceu o Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretora e Melhor Atriz.
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De onde veio a história
Nomadland é baseado num livro de não ficção da jornalista Jessica Bruder, publicado em 2017. Bruder passou meses viajando pelos Estados Unidos para retratar uma realidade que pouca gente conhecia: a de americanos de meia-idade e idosos que, após a crise econômica de 2008, perderam seus empregos, suas casas e, em muitos casos, quase tudo que tinham.
Com issoo, eles passaram a viver em vans e trailers, migrando de estado em estado em busca de trabalho temporário. Não é ficção científica, não é drama exagerado, é a América que não aparece nos filmes de Hollywood normalmente.

O que acontece no filme
A protagonista é Fern, uma mulher na casa dos 60 anos que perde o marido e o emprego quase ao mesmo tempo, quando a mineradora que sustentava a pequena cidade onde ela morava fecha as portas. Sem razão para ficar, ela coloca o que sobrou da vida numa van velha e parte.
Não tem grande vilão na história. O conflito é interno, silencioso: Fern vai cruzando o interior dos Estados Unidos, trabalhando em armazéns da Amazon no Natal, em parques nacionais no verão, e encontrando pelo caminho outras pessoas que fizeram a mesma escolha. Cada uma com sua dor, sua razão, sua paz.
Em determinado momento, ela diz a uma conhecida que a olha com preocupação: “Não estou sem casa. Estou sem teto. Não é a mesma coisa.” Essa frase resume bem o espírito do filme.

Frances McDormand: três Oscars e uma van
Frances McDormand já era uma das maiores atrizes do mundo antes de Nomadland. Tinha ganhado o Oscar por Fargo (1997) e por Três Anúncios para um Crime (2018). Com esse filme, ela foi para a história: tornou-se apenas a terceira atriz a conquistar três Oscars de Melhor Atriz.
Mas o que impressiona não é só o troféu, é o que ela fez para chegar lá. McDormand passou quatro a cinco meses vivendo de verdade em uma van, percorrendo sete estados americanos, convivendo com nômades reais antes e durante as filmagens.
O mergulho foi tão completo que, numa visita a uma loja Target para as gravações, um funcionário, sem reconhecê-la, ofereceu a ela um formulário de emprego.
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Os prêmios (a lista é longa)
Nomadland não ganhou apenas o Oscar. Antes disso, já tinha varrido os principais festivais e cerimônias do mundo:
- Leão de Ouro no Festival de Veneza 2020; o maior prêmio do festival
- Prêmio do Público no Festival de Toronto
- 2 Globos de Ouro: Melhor Filme Drama e Melhor Diretora
- 4 BAFTAs: Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Atriz e Melhor Fotografia
- 3 Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretora e Melhor Atriz
No total, o filme acumulou mais de 250 prêmios ao redor do mundo durante a temporada de premiações 2020-2021.

Por que vale a pena assistir na Tela Quente?
Nomadland não é o tipo de filme que você assiste enquanto mexe no celular. Ele pede atenção, e entrega uma experiência que fica. A fotografia de Joshua James Richards transforma o deserto americano em algo quase poético, e a trilha dá o tom exato: melancólico sem ser pesado, bonito sem ser dramático demais.
É um filme sobre liberdade e sobre perda ao mesmo tempo sobre escolhas que ninguém planejou fazer, sobre o que fica quando tudo vai embora. E talvez, dependendo do momento da sua vida, ele vá bater de um jeito diferente do que você espera.
