Por Equipe JK

O beijo entre Ayanokoji e Kei Karuizawa é o ápice do episódio 10 da 4ª temporada de Classroom of the Elite, e também a melhor pista de que a Lerche, estúdio responsável pela animação, está finalmente fazendo as escolhas certas neste arco.

A direção da cena é cuidadosa demais para passar despercebida. Mas, debaixo do romance, fica uma pergunta incômoda: aquilo é sincero ou é só mais um cálculo do Koji?

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O beijo que diz mais do que parece

A escolha do roxo na cena não é à toa. O roxo é uma cor ambígua, ao mesmo tempo fria e quente, e sustenta a tensão entre o que Kei sente de verdade e o que Koji entrega com frieza. A mão dele apoiada na árvore atrás dela não é gesto de paixão impulsiva, é controle do espaço. O sussurro no ouvido reforça isso: ali tem um pouco de encenação.

O detalhe mais bonito vem depois. As mãos seguem dadas mesmo quando o beijo já terminou. É um afeto que continua quando não estamos mais procurando o clímax. Para quem leu a light novel, é também o lembrete de que Kei merece muito mais do que está prestes a receber.

Lerche melhorou, mas ainda escorrega de dia

O desenho dos personagens nesse episódio é um dos mais consistentes da temporada. O rosto do Koji finalmente alterna entre a rigidez calculista e os pequenos relaxamentos faciais que a light novel descreve, algo que faltou nas temporadas anteriores.

Só que a temporada tem um problema técnico nas cenas durante o dia. Os fundos da ilha são bonitos isolados, mas, no momento em que os personagens entram em quadro, eles ficam brilhantes demais contra um fundo desfocado demais.

O efeito é de figurinha colada. Já nas cenas noturnas, o fogo do acampamento e o próprio beijo, a fotografia se acerta, como se a temporada só respirasse depois que o sol se põe.

Nanase, a fogueira e o jogo psicológico

A cena de Nanase chorando perto da fogueira é o segundo grande momento do episódio. O estúdio faz o certo: não joga música em cima, não corta para a reação dos outros, não acelera nada. Deixa o rosto dela em silêncio, iluminado só pelo fogo.

O melhor é que a cena permite duas leituras. Se Nanase é exatamente o que parece ser, é um momento humano e raro. Se ela está atuando em algum nível, e a temporada vem plantando essa dúvida desde o episódio 7, o choro vira mais uma camada do jogo. O anime não escolhe um dos lados, e é isso que faz a cena funcionar.

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A adaptação virou o limite da fidelidade

Existe um consenso entre quem leu a light novel: o anime está adaptando com tanta fidelidade que o tédio dos capítulos de preparação aparece intacto. O episódio 10 é o último de construção antes do exame da ilha começar de verdade, e isso explica por que partes como o drama do Ike e da Shinohara parecem se arrastar.

Vale notar também que a cena de praia, que em outras temporadas teria sido desculpa para fanservice, foi tratada com uma seriedade quase incomum no gênero. É a temporada inteira dizendo, sem gritar, que dessa vez o foco é outro.

Veredito

O episódio 10 é o último suspiro antes do mergulho. Entrega o beijo mais bem dirigido do anime, uma cena de fogueira que entende silêncio e mantém o cuidado de não cair em fanservice barato. Em volume de acontecimento, parece pouco.

Em camadas: direção, simbolismo, pressão psicológica, entrega o que a temporada precisava entregar antes de jogar a turma de cabeça no exame da ilha. Para quem reclamou que “não aconteceu nada”, talvez seja o caso de rever prestando atenção no que p anime está dizendo em silêncio.

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A 4.ª temporada de Classroom of the Elite está disponível no Crunchyroll.

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